lipstick and prozac

You're too sweet for rock'n'roll

fireflies

“we stared up at the sun with our eyes closed
and saw the dust in the air turn into fireflies.

we lay with the day.

the wind sneack into the cracks of our sleeves,
and play songs in our ears.
i used to watch you sleeping.”

Riceboy sleeps

Anúncios

Problemáticas do eu

“Um dia também tu vais ter de assentar!”

O que me enervam quando se põem com estas conversas. Mas adiante, fui procurar o significado de assentar ao dicionário ( porque a mim sempre me soou mal e me parece uma má conjugação do verbo sentar) portanto, aqui está :

” (a- + sentar)

v. tr., intr. e pron.

1. Colocar(-se) sobre um assento. = sentar

v. tr.

2. Colocar sobre uma base. = apoiar, firmar, fixar

3. Ajustar ou dispor convenientemente (peças de máquina, etc.).

4. Tomar nota por escrito (ex.: assentou o número). = anotar, apontar, registar

5. Definir as condições de alguma coisa. = acertar, acordar, combinar, estabelecer

6. Determinar, resolver.

7. Ter como base ou fundamento (ex.: a ideia assenta em pressupostos errados).

8. Fixar-se em determinado sítio.

9. Infrm. Aplicar ou colocar sobre uma superfície (ex.: assentar verniz).

10. Fazer pressão para diminuir o volume de (ex.: assentar as costuras).

11. Bater para nivelar (ex.: assentar os caracteres!carateres)

12. Infrm. Aplicar como pancada (ex.: assentei-lhe um estalo) = pregar

13. Afiar e amaciar (o fio de uma lâmina), geralmente com o assentador.

v. tr. e intr.

14. Ficar justo, amoldar-se ao corpo (ex.: o vestido assenta maravilhosamente).

15. Ser apropriado. = condizer, convir

v. intr.

16. Depositar-se sobre uma superfície ou no fundo de um recipiente (ex.: a borra assenta). = pousar

17. Ficar mais baixo (ex.: o cabelo assentou). = descair

18. Ganhar juízo ou maturidade (ex.: só assentou quando chegou aos 40 anos).

19. Cessar de ser estroina ou desaplicado. = acalmar, sossegar

v. pron.” 

Ajustar ou dispor convenientemente; Definir as condições de alguma coisa ; Fixar-se em determinado sítio, Ser apropriado, Ficar mais baixo ; Ganhar juízo ou maturidade ; Cessar de ser estroina ou desaplicado e , por fim, sentar.

Depois de compreender melhor o que assentar significa fiquei com mais vontade ainda de deixar essa história do assentar para depois.

Dá-me a impressão que as pessoas assentam-se, quando estão cansadas de caminhar e de procurar o que as faz feliz. Como que se rendem, desistem e sentam-se.

Não me levem a mal as pessoas que já estão bem assentadas ou que estão para se sentarem. Eu bem sei que o que me faz feliz a mim, muito provavelmente não vos fará feliz a vocês e vice versa. E a forma como somos e nos sentimos felizes, só a nós nos diz respeito.

O que me arrelia é quererem forçar-me a acreditar que este é o único caminho. Que para encontrar o Santo Graal, vou ter de abdicar da minha caminhada e sentar-me.

Que terei de me aposentar dos meus sonhos e ideais para encontrar a tal “felicidade”.

Partindo deste principio, o primeiro passo para ser feliz é aposentar-me. O segundo, será encontrar um outro aposentado igual a mim.

– muito provavelmente assentado num banco de jardim á espera que a felicidade lhe caia em cima –

suponho que depois de aposentados, já ninguém se dê ao trabalho de correr atrás de seja o que for. Nem da felicidade.

Se duas alminhas destas se cruzam,conversam um pouco, acertam os detalhes e depois de alguma ponderação lá dão o nó (boa expressão também, esta) e daí seguem vivendo o seu amor plácido e bucólico, para sempre.

Agora pergunto-me eu, como é que isto algum dia me faria feliz? Talvez seja ainda muito tenra emocionalmente e não entenda nada desta história do assentar. As minhas pernas têm ainda muitos quilómetros a percorrer.

– sempre á procura de muito e encontrando sempre muito pouco –

e embora muitas vezes cansada e desiludida, não vou parar ainda para me assentar.

Well Peter Pan, thank you for giving me your syndrome ‘cause I ain’t sitting my sorry ass for some cosy and cheap happiness.

Problemáticas do eu

ontem à noite foi uma almofada na barriga que me lembrou o ar a entrar e sair de mim

para cima

para baixo

As horas doem-me nos olhos quando os abro para me ver.

para cima

para baixo

 

 

olá espelho, olá a mim no espelho 

para cima

para baixo

fecho os olhos com muita força e imagino que isto não passa disto mesmo.

– uma bolha muito grande, onde toda a gente no mundo pudesse caber, onde todos tivessem o seu lugar determinado à hora do jantar –

para cima

para baixo

está alguém encostado à porta da cozinha, a olhar para aqui desde o momento em que chegou.

há alguém que nos quer congelar os lábios para nos pormenorizar, para nos entender.

para cima

para baixo

Os teus dedos fazem falta ao meu corpo, e tudo se transforma à minha volta num enorme circuito de chávenas de chá vazias em noites por encher.

para cima

para baixo

A certeza do teu não regresso ao fim do dia fazem heras crescer-me na raiz das unhas.

para cima

para baixo

um dia morro porque o ar deixa de fazer almofadas na barriga subirem e descerem

para cima

para baixo

não sei como te dizer isto de outra forma mas acho que seríamos os dois felizes se logo à noite não voltássemos a existir.

Problemáticas do eu

Dentro ou fora?

Dentro ou fora de mim?

Dentro ou fora dos outros?

 

Se me questionar o tempo suficiente sobre seja que problemática for, essa questão vai acabar por entrar dentro de mim. E eu – partindo do princípio que estou dentro de mim – terei de a seguir por mim adentro. Obrigando-me a descer uns quantos degraus da minha consciência.

Quando se está muito tempo fora de si, não se tem ideia do que poderá estar escondido para lá do que se vê.

O que farei eu – de mãos dadas com a minha problemática – rodeada de estantes, caixas e caixinhas poeirentas e desorganizadas?

 

Dentro ou fora?

 

Quando estou fora de mim, posso acidentalmente esbarrar com o interior alheio. O que faz o meu Eu foragido, dentro dos outros?

Divaga curiosamente por estantes, caixas e caixinhas ou será que se senta a um canto apreciando confusões estranhas a si?

 

– um dia também ele se tornará poeirento e encaixotado dentro de alguém –

 

Temo que existam inúmeras variáveis para esta minha questão, mas o que mais me arrelia é saber que tenho tão pouco poder sobre o meu Eu e por onde ele divaga.

 

–  Não estaremos nós sempre dentro e fora de tudo? –

 

Não me resta outra opção senão esperar que o meu Eu regresse, e no entretanto, entreter-me por aqui a olhar para  estantes poeirentas, caixas e caixinhas, descobrir entradas secretas e orifícios que não conheço por não serem meus.

 

– não tendo a certeza se estarei dentro ou fora de mim.-

 

 

 

 

Problemáticas do eu

Não deveria ter falado com a parede que nos divide.

O objectivo era tirar algum sentido da sua existência.

Revelou-me coisas que não queria saber.

Repudio agora a sua existência.

Lembraste  quando estávamos a construir o nosso espaço e eu achei boa ideia construir uma parede bem ali no meio?

–  “Vai ficar lindamente” –

lembro-me de dizê-lo alto e bom som, enquanto metia mãos à obra.

– “Uma ideia de génio!” –

Decidi construí-la com tijolos.

Como não a queria demasiado forte, decidi não cimentá-los. Usei antes uma daquelas colas que se vêem nos anúncios que nos prometem colar um autocarro no tecto de casa.

Tenho a dizer que é tudo publicidade enganosa. Um dia tentei colar pedaços de mim com aquilo e só me aguentou inteira por breves instantes.

– Uma parede de tijolos –

Alta o suficiente para manter os curiosos afastados.

Frágil o suficiente de modo a ser possível derrubá-la. Com algum esforço,  mas perfeitamente exequível.

Sentei-me a olhar a parede. A parede a olhar-me  de volta.

Eu a ver-me através da parede.

Eu a ver-me sozinha, sem ti e sem mim.

Tu a seres uma voz, tu do outro lado a seres uma voz, tu a mandares-me voltar, a dizeres-me para ir que não precisava de ter medo: tu com amor do outro lado a esperares por mim.

São coisas que me fazem sentir mais segura, sabes?

– Uma parede grande mas frágil, a dividir-nos –

Coloquei-a bem no meio para me lembrar o motivo pelo qual ali tinha de estar.

Queria que nos protegesse um do outro.

Impossível de ignorá-la, agora que compreendemos que o seu propósito vai muito para além da estética.

Resta esperar que o processo natural das coisas tome o seu lugar. Que a erosão natural destes medos transformem aquela parede em pó e que a sua destruição nos permita descobrimo-nos de novo.

E eu a deixar-te entrar de novo: tu, os bocados de parede e aquilo que ainda havia entre nós, aquilo que era medo.

Medo e amor. Sobretudo amor.

 

 

Image

Problemáticas do eu

Vejo-te agora como dois olhos libertadores que salvam.
São esses teus olhos castanhos, esse sorrisinho maroto que me deixam nervosa e ansiosa como uma menina na sua primeira paixão.
É a forma sóbria como te comportas, como beijas, a forma como te mostras retraído, calado, surpreendentemente racionalizador, quieto, calmo, de vidinha interior atribulada e santa que me faz sentir saudades tuas cá dentro: como pipocas a saltar no microondas.
Mas és tu agora de quem falo, aquele banco de jardim, e eu a dizer coisas.
Gosto de ti e gaguejo , e esfrego as mãos, e baixo os olhos, e digo-te coisas.
Encosto-me a ti, não fujo de ti, torno-me a encostar.
E tu gravemente sisudo, como se dissesses:
– Ámen.
a tudo o que me saía dos lábios, como se quisesses que eu dissesse mais, mas como se tu próprio não tivesses liberdade para isso.

-Gosto de ti.

-Gostas?

-sim.

Inadvertidamnete bocados de mim serão absorvidos por ti e estaremos
para sempre juntos sem que tu saibas.
Para sempre.

Problemáticas do eu

– Queres namorar comigo?Queres?

(…)

– Quero.

(Sem confusão,sem dúvidas ou passos atrás.)

Gosto de ti e gosto de me sentar aqui contigo. Gosto da forma como acho que gostas de mim.
Somos da mesma textura, iguais.

(…) Agora dá-me um beijo e provoca um Tsunami que faça o mar chegar-me á ponta dos pés para podermos chapinhar juntos e ser felizes no meio de conchas e de castelos de areia.

Problemáticas do eu

A noite desperta sobre o vazio da necessidade,em que me arrasto.
Nos passos de cada um,quebrei o silêncio,acordei da inércia entorpecida de um falso descanso.
Caminho acompanhadamente sozinha.
Preencho o vazio dos dias,cruzando o álcool de cada gargalo entontecido,em cada cigarro que vai morrendo no chão.
Acabo com o último sorriso,ao lembrar os momentos oxigenados e tristes que naufragaram juntamente comigo.
Gostava de espalhar no vento,os pedaços da tarde que agora acaba.
A carne rasga-se em prazer proibido,em ridícula tentativa de evitar,a inevitável morte de si mesma.
E num apertar sem fios de mãos,abraçam-se para além da vida.
– nunca olhando para trás –
Sinto pena das nossas bocas que se cortam nos espinhos da saudade.
A pólvora que somos nós,qual transfusão nuclear e cancerosa.
Fechamo-nos em gavetas e gatilhos premidos.
Em excesso,tombamos sujos na queda afiada de novas tempestades,onde nos levantamos,quebramos as amarras e libertamos a voz que pronuncia as sílabas em tom de despedida.
O nosso desencontro é muito mais do que aquilo que posso suportar.
É poeira em mim,é busca falhada na frustração das pessoas que me rodeiam.
O meu egoísmo é o arrependimento composto na pauta mais submersa da ironia.
Procuro na alucinação libertadora que me fustiga no queimar do álcool e do tabaco.
è apenas um falso alterar,suicídio de tudo em nada.

Problemáticas do eu

amanheço na chuva fragmentada e acordo o corpo que não dormiu.
Vou morrendo na lonjura do que me lembro,para lá dos limites do esquecimento.
Não adormeço,não respiro,não me mexo.
Semeei o teu nome por todo o lado.
sento-me,espero que o suicídio me traga palavras quentes.
Tenho o olhar escondido na inquietação da luz,guardo no peito o sossego dormente das palavras.
guardei para ti o segredo da melancolia do meu sorriso.
Cai leve, fim do dia certo.
cai suave, melancolia da tarde inútil, bruma sem névoa que se evapora no meu coração.